O primeiro salário é sempre um momento inesquecível. Após anos de estudo e luta para encontrares o primeiro emprego, receberes o fruto desse trabalho é como uma porta que se abre para a tua independência.
O momento deve ser festejado, mas não deixes de lado uma necessária reflexão sobre o que irás fazer nos meses e, esperamos, anos seguintes.
A literacia financeira em início de carreira é mais importante do que aquilo que possas pensar e poderá fazer a diferença, por exemplo, quando decidires pedir um crédito habitação para adquirires a tua casa.
A gestão financeira dos jovens, nomeadamente a partir do momento em que recebem o ordenado no primeiro emprego, é uma ação que deves levar muito a sério, mas que não tem de ser dolorosa ou impedir-te de desfrutares dos prazeres da juventude na sua plenitude, como verás já de seguida.
Como podes garantir uma gestão financeira no início da tua carreira profissional?
Receber o primeiro salário é, acima de tudo, uma oportunidade de começares a pensar em independência, contudo, ela não virá sem um planeamento adequado e umas pitadas de poupança.
Para quer tudo isso se torne num dado garantido e possas concretizares os projetos e desejos que o salário ajuda a alimentar, começa por perceber qual o valor que ficará realmente disponível na tua conta.
1ª etapa: o valor real do salário
Uma coisa é o salário bruto e outra bem diferente é o salário líquido. Ao passo que o primeiro corresponde ao montante total da remuneração que consta do contrato antes das deduções obrigatórias, o segundo é o valor que, efetivamente, te vai cair na conta depois do pagamento de impostos, descontos para a Segurança Social e outras retenções.
Em suma, é com salário líquido que terás de gerir todos os meses e não o bruto.
Como essa gestão não é simples, a segunda etapa deve passar por organizares as tuas despesas e planeares o futuro.
2ª etapa: Organizar e planear
Se a tua ideia passa por saíres de casa dos teus pais o mais rapidamente possível e/ou tornar viável arrendares um apartamento e morares sozinho, é importante começares a organizar as tuas despesas presentes e futuras.
Dentro desta categoria, tens de começar a pensar na obrigação de pagares a renda todos os meses, o passe de transportes públicos, o combustível do carro, a alimentação, as faturas de energia, água e telecomunicações e outros eventuais gastos.
Além disso, como não é saudável descurares a tua vida social, deves incorporar uma rubrica para gastos com atividades de lazer e viagens, por exemplo.
Faz a comparação entre os gastos esperados e rendimento mensal e cria um orçamento equilibrado que siga a conhecida regra 50-30-20: 50% do rendimento para o pagamento de despesas essenciais; 30% para projetos pessoais e desejos; e 20% para poupança ou eventuais dívidas (crédito pessoal para pagar propinas ou um automóvel, por exemplo).
Poupar em jovem adulto não é fácil, mas desde que o plano se adeque às tuas necessidades e desejos presentes e futuros, todas as estratégias são possíveis.
3ª etapa: estratégias de poupança
De acordo com a regra 50-30-20, 20% do teu orçamento mensal será destinado à poupança, mas como geri-la e aumentá-la?
Deves começar com pequenas quantias e, ao longo do tempo, ires aumentando progressivamente o montante que colocas de lado.
Para facilitar a tarefa e não teres a tentação de mexer no que poupas, podes abrir uma conta poupança ou criar um fundo de emergência.
Além desta estratégia de poupança, compara diferentes tarifas de energia e telecomunicações antes de contratares um serviço. Se já tens algum destes serviços, procura renegociar contratos e pondera mudar de fornecedor/operador.
4ª etapa: criar um fundo de emergência
Caso optes por um fundo de emergência que te sirva de proteção aquando da chegada de uma despesa médica ou numa situação de desemprego, é bom saberes que este fundo deve ser constituído por um valor nunca inferior a um ano de despesas fixas.
Uma vez que o montante poderá ser demasiado elevado, recomendamos-te que reserves 5% da tua poupança mensal para o alimentar.
5ª etapa: explorar formas de rentabilizar o salário
Poupar é bom e pode valer-te um bilhete para o teu próximo sonho, mas se conseguires rentabilizar/valorizar o teu rendimento mensal, o desafogo será maior e a tua segurança financeira também.
Porém, é importante que um potencial investimento seja bem analisado e tenha um baixo nível de risco associado.
Entre os investimentos financeiros mais seguros estão os certificados de Tesouro, os certificados de Aforro, os depósitos a prazo e os PPR com capital garantido.
Em simultâneo, podes pensar em utilizar as redes sociais e os marketplaces para começares um pequeno projeto paralelo que te pode valer uns euros extra no final do mês.